sexta-feira, 9 de março de 2012

Jesus no Lar - O maior servidor


Presente à reunião familiar, Filipe, em dado instante, perguntou ao Divino Mestre.

_ Senhor, qual é o maior servidor do Pai entre os homens da Terra?

Jesus refletiu alguns minutos e contou:

_ Grande multidão se congregava em extenso campo quando aí estacionou famoso guerreiro carregado de espadas e medalhas, que passou a dar lições de tática militar, concitando os circunstantes ao aprendizado de defesa. O povo começou a fazer exercícios laboriosos, dando saltos e entregando-se a perigosas corridas, sem proveito real; todavia, continuou como dantes, sem rumo e sem júbilo, perdendo muitos jovens nas atividades preparatórias de guerra provável.

Logo depois, apareceu na mesma região um grande político, com pesada bagagem de códigos, e dividiu a massa em vários partidos, declarando-se os moços contra os velhos, os lares pobres contra os ricos, os servos contra os mordomos, e, não obstante a sementeira de benefícios materiais, introduzidos na zona pela competição dos grupos entre si, o político seguiu adiante, deixando escuros espinheiros de ódio, desengano e discórdia entre os seus colaboradores. 

Depois dele, surgiu um filósofo, sobraçando volumosos alfarrábios, e dividiu o povo em variadas escolas de crença que, em breve, propagavam infrutíferas discussões nos círculos de toda gente; a multidão duvidou de tudo, até mesmo da existência de si própria. A Filosofia, sem dúvida, apresentava singulares vantagens, destacando-se a do estímulo ao pensamento, mas as perturbações de que se fazia acompanhar eram das mais lastimáveis, legando o filósofo muitas indagações inúteis aos cérebros menos aptos ao esforço de elevação.

Em seguida, compareceu um sacerdote, munido de roupagens e símbolos, que forneceu muitas regras de adoração ao Pai. O povo aprendeu a dobrar os joelhos, a lavar-se e a suplicar a proteção divina, em horas certas. Entretanto, todos os problemas fundamentais da comunidade permaneceram sem alteração.

"No extenso domínio, não havia diretrizes ao trabalho, nem ânimo consciente, nem valor, nem alegria. A doença e a morte, a necessidade e a ignorância eram fantasmas de toda a gente.

"Certo dia, porém, apareceu ali um homem simples. Não trazia armas, nem escrituras, nem discussões e nem imagens, mas pelo sorriso espontâneo revelava um coração cheio de boa vontade, guiando as mãos operosas. Não pregava doutrinas espetacularmente; todavia, nos gestos de bondade pura e constante, rendia culto sincero ao Todo-Poderoso. Começou a evidenciar-se, lavrando uma nesga do campo e adornando-a de flores e frutos preciosos. Conversava com os seus companheiros de tuda, aproveitando as horas no ensinamento fraterno e edificante, e transmitia suas experiências a todos os que se propusessem ouvi-lo. Aperfeiçoou a madeira, plantou árvores benfeitoras, construiu casas e instalou árvores benfeitoras, construiu casas e instalou uma escola modesta. Em breve, ao redor dele, viçavam a saúde e a paz, a fraternidade e as bençãos do serviço, a prosperidade e o contentamento de viver. Com o espírito de trabalho e educação que ele difundia, a defesa era boa, a política ajudava, a Filosofia era preciosa e o sacerdócio era útil, porque todas as ações, no campo, permaneciam agora presididas pelo santo imperativo da execução do dever pessoal no bem de todos."

Calou-se o Cristo, mas a assistência reduzida não ousou qualquer indagação.

Após contemplar o horizonte longíquo, em longos instantes de pensamento mudo, o Mestre terminou:

_ Em verdade, há muitos trabalhadores no mundo que merecem a benção do Céu pelo bem que proporcionam ao corpo e à mente das criaturas, mas aquele que educa o Espírito eterno, ensinando e servindo, paira acima de todos.

domingo, 4 de março de 2012

AS FORÇAS DO AMANHÃ

"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" - Paulo (I Coríntios, 5:6)

    Ninguém vive só.
    Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.
    Nossos atos possuem linguagem positiva.
    Nossas palavras atuam à distância.
    Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.
    Ações e reações caracterizam-nos a marcha.
    É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.
    Nossa conduta é um livro aberto. Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções.
    Quantas frases, aparentemente inexpressivas, arrojadas de nossa boca estabelecem grandes acontecimentos.
    Cada dia emitimos sugestões para o bem ou para o mal.
    Dirigentes arrastam dirigidos.
    Servos inspiram administradores.
    Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?
    Um pouco de fermento leveda a massa toda. Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.
    Acautele-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.
    Desdobra-se-nos  o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.

(Livro: Segue-me!... Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)